quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Sem medo da neblina.


E o que mais te encanta?
Os olhos. As cores vistas nesses olhos. O acordar no meio da noite só pra ver o outro dormir.
A espera pelo despertar do outro dia pra poder ver o outro abrir os olhos e beber dessas cores, como se precisasse delas para um último suspiro.
Ironicamente, o que mais me encanta é o que mais me mete medo. Porque me perco nas cores, nos olhos, no adormecer e despertar. Me perco no que você me concede.
Quando eu te vejo, desvio o olhar. Muitas vezes fiz isso, tantas vezes... Perco a conta, me perco até na aritmética. E se me permitia te olhar, me embebia da sua miscelânea. Pois teus olhos têm mil cores, multicolorido, dependente de sol para esverdear, de sombra pra escurecer, de luz para ofuscar meus pensamentos. Teus cabelos também eram compostos de muitas cores, assim como a barba que nunca machucava, tão colorida quanto a confusão de seus olhares. Até teu sorriso me confundia, não sabia porque sorria, mas o fazia muito bem, como se fosse um desses dedicados a mim, como se eu pudesse ver seu verdadeiro eu naquele sorriso. E tanto quanto suas cores, assim era o seu comportamento. Tantos milhões de seres num só, tão simples e perfeito para si mesmo, tão confuso para mim. E eu fui tentando desembaraçar suas cores, seus nós, seus seres. Tentei por muitas vezes, tanto que eu mesma me perdi. Me tornei milhões de cores, centenas de seres, numa explosão de luzes que cegavam minhas armadilhas, tão bem preparadas desde que descobri a necessidade de um outro alguém por perto. E seus seres multicoloridos me desarmam; e eu me perco; e me permito; e me faço em pedaços – porque só as suas cores me unem, só o seu sorriso me bebe e me inebria, só você me refaz; sua, somente sua.

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